Aldeia Tática Global do futebol

Em tempos passados, costumávamos distinguir com facilidade as diferenças táticas no futebol das várias escolas que existiam no mundo. O Continente Europeu era mais assim, enquanto o Sul-americano de outro jeito, etc…

E o Oriente e a Ásia?!… Ah! Nem sabíamos como jogavam, ou se jogavam o futebol!

Hoje, todas as escolas de futebol estão se aproximando em perfil tático na suas maneiras de jogar. A proliferação das informações, tempos modernos, desvendou também os segredos do futebol. Por isso, e por muitas outras coisas, o nosso planeta se tornou mesmo uma grande aldeia global do futebol.

Quando víamos jogos italianos, alemães, espanhóis, ingleses, dentre outros, era fácil perceber as diferenças táticas  em cada uma dessas escolas.

No âmbito brasileiro se mostravam nítidos também os perfis táticos regionais. O Sul mais força e disciplina defensiva; o Sudeste mais técnico e solto; o Norte e o Nordeste muito ofensivos, velozes e com poucos componentes táticos coletivos e o Centro-Oeste uma mescla de tudo isso que falamos, até porque a migração de brasileiros e ideais de outras regiões para os estados do centro do país são coisa de muitos anos.

Mas aí vieram tempos mágicos no futebol mundial que transformaram e/ou continuam transformando substancialmente a maneira de jogar  o jogo. A grande transformação surgiu de um case emblemático na Espanha e desde então está se espalhando pela aldeia global do nosso mundo.

Guardiola e seu Barcelona de 2008 a 2012 foram um marco para a metamorfose tática que andamos assistindo no futebol mundial. É claro que muita coisa já vinha acontecendo na evolução do jogo. Mas Guardiola, seu Barcelona e tudo que se criava em entendimento, concepção e construção do jogo de futebol dentro dos muros do CT do clube Catalão foram marcantes.

– O Guardiola foi o treinador certo, no lugar certo, na hora certa, com os jogadores certos…

Foi o que me dizia o Mestre Joan Vilà, um dos Diretores de Metodologia do FC Barcelona!

O Barcelona do Guardiola iniciou um processo de uniformização da maneira de jogar futebol no mundo, e criou uma “Escola de Futebol Meio Única” para todos os países que um dia tiveram suas próprias tendências e/ou culturas táticas.

Alguns times atuais, com mais ou menos verticalidade, mais ou menos jogo apoiado, das Américas ao Oriente estão se afeiçoando a um jogo mais ou menos parecido que tem origem, principalmente, no que o Barcelona de Guardiola fazia:

  • Trocas de passes – bola no chão;
  • Velocidade e/ou intensidade de jogo;
  • Compactação – campo menor;
  • Marcação alta – jogando em grandes blocos;
  • Marcação pós-perda e com pressão;
  • Intensidade – pra defender e atacar;
  • Jogo organizado – jogo de posições para defender e atacar;
  • Dentre outros conceitos e/ou princípios táticos.

Os conteúdos da Escola Barceloneza migraram para o Bayern de Munique e continuam  fazendo sucesso no Manchester City, clubes que acolheram Guardiola como treinador.

É radiante o valor dessa forma de jogar. Está se transformando realmente em uma “escola tática mundial de jogo”. Muitos times e de diversas dimensões clubistas espalhados pelo mundo estão dando mostras da força que esse modelo de jogo adquiriu.

O interessante nisso tudo é que o jogo se tornou essencialmente tático sem perder a beleza plástica, como sempre acreditamos que poderia acontecer. Principalmente no Brasil. Os craques continuam sendo craques sustentados pela conceituação tática do jogo.

Quem viu o Barcelona, campeão europeu em 2006, e o de 2008 a 2012 percebe diferenças marcantes. O jogo do time de Ronaldinho Gaúcho era muito bom, mas o do Messi e companhia era muito melhor.

Barcelona, Bayern e City colecionaram e ainda colecionam importantes títulos sob o comando do Guardiola e/ou com o legado deixado pelo seu jogo. E o mais importante, com uma parecida forma de jogar em escolas táticas diferentes e que não jogavam como ele propõe. E se não bastasse, nada me tira da cabeça que a Espanha de 2010 e a Alemanha de 2014, campeãs mundiais, tiveram suas conquistas chanceladas pelo poder da escola de jogo do Guardiola.

Mais do que ser uma escola com conteúdos específicos e característicos, o Barcelona do Guardiola estimulou o nascimento de muitos estudiosos e criativos treinadores espalhados pelo mundo.

Salvo engano, Jürgen Klopp já disse ter se espelhado em lições do jogo do Guardiola, apesar do seu Liverpool ter traços táticos que o diferem do modelo que o serviu de base.

Detalhes dos detalhes dos detalhes, expressão muito usada pelo treinador Enderson Moreira, fazem as diferenças táticas entre os times. Apesar de todos os jogos terem semelhanças táticas, não deixam de ser diferentes. Esse fenômeno é a prova inequívoca de que cada jogo é um jogo, cada treinador é um…

Até a verticalidade imposta por alguns treinadores ao jogo de suas equipes é uma adaptação ao que fez e continua fazendo o Guardiola. Os bons times que jogam com tendências a verticalidade têm também seus jogos argumentados em vários princípios e/ou conceitos táticos do jogo do Barcelona do Guardiola.

A maioria dos treinadores não consegue copiar na essência o jogo do Guardiola. Realmente construir um jogo ofensivo e propositivo, intenso, plástico e baseado essencialmente no jogo de passes e de posições é muito difícil. Antes de tudo é preciso fazer o jogador e a equipe abdicar do egoísmo natural de gostar da bola. Não é fácil fazer o que o Guardiola faz. Como dizia o filósofo, querer não é poder!

Qualquer perfil de jogo vai ganhar, perder ou empatar. Vai ser campeão e às vezes não. Mas o jogo que encerra suas qualidades e objetivos em ideias táticas bem fundamentadas e conexas ganha mais do que perde. Assim tem sido o jogo do Guardiola em mais de uma década de vida! Ficou pra história e fez escola no mundo!

Há muito “pano pra manga” nesse assunto, assim como em toda a complexidade do jogo de futebol! A certeza que devemos ter é que podemos continuar abordando esse e outros assuntos sobre o jogo, mas sem a pretenção de acharmos que o entenderemos em sua plenitude.

Até a próxima!

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