Quem é mais importante – o treinador, o jogador ou o jogo?

O futebol no Brasil se aprisionou em alguns paradigmas que resistem em manter estagnada a qualificação do nosso jogo e a moderna maneira de construí-lo.

Sempre teremos bons jogadores, treinadores ou outros recursos para uma inteligente construção do jogo, mas ainda persistem em nosso meio dúvidas antigas sobre a natureza e muitas outras questões do jogo.

Os treinadores brasileiros não deviam, mas continuam alimentando a comunidade do futebol com velhos dogmas que só fazem prejudicar a sua reputação dentro e, fora do país. Dizem frequentemente:

– Quando um time ganha os jogadores devem comemorar, pois são os grandes responsáveis por isso, já quando se perde a culpa é do treinador. Assumo toda a responsabilidade da derrota!

Trata-se de uma autêntica “declaração de incompetência”!

Até admito que o discurso de “minha culpa”, há muito proferido pelos nossos treinadores, faça parte de uma “conversa jogada fora” para evitar grandes discussões em entrevistas coletivas. Mas por trás dessa profissão de culpa reside um pensar coletivo baseado nesta “verdade” que desencadeia prejuízos enormes para a compreensão do jogo, dentre outros muitos males.

Os treinadores poderiam reputar ao tempo de trabalho, por exemplo, a principal razão para não ter alcançado a produtividade desejada para as suas equipes. Afinal de contas, trata-se de outra mentira escandalosa a que costumamos ser obrigados a proferir, que dentro deste ou daquele prazo de tempo nossas equipes vão estar jogando mais ou menos assim…

Não deveria nunca haver definição de prazo para um ideal de forma competitiva no futebol! Cada clube é um clube, cada ideia de jogo é uma ideia de jogo, cada treinador é um…

Tudo isso e muito mais coisas faz com que o tempo de cada time seja único. Esta já seria uma grande lição a ser aprendida pelo “futebol brasileiro”!!

Outra preciosidade futebolística dita por nós, treinadores brasileiros:

– No jogo, a importância do jogador é de 80% e a do treinador é de 20%. Já na semana de treinos a importância maior é do treinador!

Mais uma frase pronta que não contribui em nada para a valorização dos nossos treinadores, jogadores e do próprio jogo. Protegemos excessivamente o jogador e culpamos demasiadamente os treinadores!

Na minha opinião, nem uma coisa nem outra!

Os papéis dos jogadores e dos treinadores em treinos e jogos são preponderantes na construção de um jogo. Além disso, se tivéssemos que destacar importância particular a um protagonista em especial, esta seria dada ao “JOGO”. É ele quem deveria resolver todos os problemas em campo.

Agora, quem é mais importante na construção desse jogo?? É difícil responder! Qual cenário é o mais importante na construção do jogo? O próprio jogo, o treinamento, o treinador?…

São questionamentos que têm de ser bem resolvidos no ambiente da Escola Brasileira de Futebol. Não devemos procurar como solução mais ou menos importância deste ou daquele elemento. Uma coisa é certa, há uma conjuntura complexa responsável pela construção do jogo, onde dois protagonistas são imprescindíveis: o treinador e o jogador! O que eles farão com o jogo somente as variáveis de cada time poderão descrever!

Jogadores e treinadores, assim como vários outros elementos que compõem a complexidade da construção do jogo têm importâncias destacadas no futebol. Separar contextos e responsabilidades na construção de jogo é negar a natureza complexa deste trabalho.

Portanto, não é justo aos treinadores brasileiros carregarem sozinhos mais este fardo de responsabilidades. Tudo tem de ser relativizado na conjuntura de muitas e importantes intervenções. Se no futebol falamos coisas “pra inglês ouvir”, que sejam coisas que não prejudiquem ainda mais a imagem do treinador brasileiro que já é muito maltratada!

O jogo e o treino do futebol são protagonizados pelos jogadores, treinadores, estrutura e gestão clubistas, ambiente esportivo, dentre vários outros intervenientes. A maior ou menor importância de um ou de outro deve ser ponderada sob as medidas dos contextos que os envolvem.

O futebol brasileiro tem em potencial todas as soluções para os problemas atuais que o afligem. Construir e praticar o jogo moderno será uma questão de tempo, como mais ou menos disse Paul Breitner em uma edição do Bola da Vez da ESPN, antes da Copa de 2014 no Brasil.

Que não nos prendamos a inconsistentes comportamentos da ética futebolística. Sejamos corajosos e reconheçamos as deficiências e ou necessidades do nosso jogo para que encontremos as “nossas soluções” o quanto antes! Não há pecado e sim virtude ao reconhecermos nossas dificuldades!

A exceção de poucas equipes, continuamos não jogando o jogo moderno no Brasil! Para constatar basta assistirmos aos vários jogos de Norte a Sul, Leste a Oeste que recheiam as telas de nossas televisões durante quase todos os meses dos anos. Esta verdade vem em decorrência da nossa ignorância e ou teimosia para enxergar o que há de moderno praticado pelo mundo!

Perdemos muita energia justificando nossa ignorância futebolística para conceber o “novo jogo” ao invés de abrir os olhos e ou os livros para as muitas lições que se apresentam!

Vamos acordar futebol brasileiro!

Nos vemos mais adiante!!

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