“Chuva de verão?”

O legado de Jorge Jesus, suas ideias e de outros treinadores que vivem o futebol brasileiro do momento podem não ser perceptíveis à curto prazo, mas serão muito importantes num futuro próximo.

Precisamos refletir sobre o que aconteceu nesta “chuva de verão que foi o quase um ano de trabalho” no Flamengo-2019 – não estariam incluídos aqui os quatro meses de pandemia.

Muita coisa passa na vida do brasileiro e fica sem registro. Assim acontece no futebol também. Não podemos deixar passar mais essa!

Jesus não constava na lista dos melhores treinadores europeus, mas veio ao Brasil e fez um Flamengo diferente de tudo que temos visto no nosso futebol. Gostaria que ele ficasse de quatro a cinco anos por aqui para vermos resultados mais consistentes sobre as suas ideias e seu trabalho.

Mesmo assim não é justo fechar os olhos às lições táticas que nos foram oferecidas. Podemos citar algumas:

– Jogo conceituado taticamente;

– Compactado;

– Vertical, ofensivo e lúcido;

– Transições muito bem orientadas;

– Inteligência e arrojo no rodízio entre os titulares;

– Liderança de grupo – grandes respostas aos quesitos táticos;

– Enfim, um time com jogo moderno.

Não podemos esconder na inquestionável qualidade técnica do seu elenco o que o Flamengo fez taticamente em campo. Se assim fosse, alguns elencos parecidos de clubes gigantes brasileiros deveriam também fazer muito mais do que fizeram.

Jesus se foi! Que tenha ficado algo das muitas coisas que ele fez. O futebol brasileiro provou com o trabalho desse português que o nosso jogo e jogadores aceitam muito bem o que há de moderno neste esporte no mundo. Aliás, os nossos jogadores têm potencial para fazer um jogo ainda mais  qualificado que o que temos visto atualmente.

Não há motivo para contestação. Tudo que foi realizado por um treinador estrangeiro no Flamengo-2019 é digno de apreço pela comunidade do futebol brasileiro. As Respostas em qualidade de jogo e resultados são inquestionáveis.

Vamos refletir sobre a frase: – algo acontece entre o campo de treino e o campo de jogo que faz a diferença entre treinadores e equipes.

Muito do que vimos no time do Flamengo de Jesus já está exposto no mundo há tempos e em várias equipes de ponta do futebol moderno. Apesar de todo clube ter certa privacidade em seu dia-a-dia de trabalho, algo da prática do treinador português e sua equipe pode ter sido passado mais claramente.

Acredito que o modelo de jogo apresentado pelo Flamengo-2019, já dava sinais de existência em outros times brasileiros, mas terão maior impulso a partir de agora.

Nossos profissionais de campo tratarão de incrementar os rumos do futebol brasileiro, assim como sempre fizeram apesar das dificuldades. Afinal, a nossa história mostra isso. Por mais óbvio que pareça ser, nem só do campo precisam vir as transformações. Em apenas um exemplo, vejamos como a Alemanha revolucionou o seu futebol em todas as áreas de influência ao jogo nas últimas décadas.

As lições de Jorge Jesus serão de grande valia ao futebol brasileiro. Não precisamos alimentar rivalidades mesquinhas pelo fato dele ser estrangeiro. Olhemos para frente e passemos a construir melhores jogos apoiados principalmente no grande legado que a natureza nos dá ano após ano: – fartura de bons jogadores!

Treinador não têm nacionalidade, não têm bandeira! Treinador é treinador e será cobrado como construtor de jogos aqui ou em qualquer lugar do mundo. Já invadimos outros países, inclusive e principalmente Portugal, com muitos treinadores brasileiros. Por esse ou aquele motivo perdemos o espaço conquistado. Alguns desses motivos já fazem parte das nossas periódicas reflexões.

Vamos à luta colegas treinadores brasileiros! Façamos mais do que aquilo que estamos fazendo! Se achamos que este é o nosso  melhor, eu desafio: – quem nesse mundo pode dizer que está fazendo o seu melhor?! Em toda a existência humana e em qualquer área assistimos ao rompimento de barreiras, uma após a outra! 

À comunidade da bola, fica o recado: – que não se perca o legado do Flamengo-2019!

Apesar do apelo deste post, a saída do treinador português deixa uma grande questão no ar: – será que a maior parte de tudo que aconteceu ao Flamengo-2019 deve ser reputada a ele? Ou haveria algo de extraordinário, além da grandeza do clube, que sustentava o trabalho do Jorge Jesus? Se assim for, veremos o Flamengo hegemônico por mais algum tempo até que apareça outra força brasileira que o desbanque. Caso contrário…

Que esta reflexão tenha valor, apesar de ser “um pingo d’água” no oceano das necessidades do nosso futebol!

Grande abraço!

 

Crédito da foto: Carl de Souza / AFP/ Arquivo.

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