Futebol é dinheiro ou gestão?!

O que eu tenho escutado muito, quando me param pra falar do “momento Cruzeiro”, é que FUTEBOL É DINHEIRO!

Quando há tempo e a prosa flui, a gente vai um pouco além nos argumentos. Mas, como nem sempre isso acontece, resolvi externar algumas ideias sobre essa reflexão.

Futebol não é dinheiro! FUTEBOL É GESTÃO, assim como em quase tudo na vida.

O ser humano, em muitos dos seus projetos, é movido a impulsos e ou sentimentos das mais diversas naturezas. Com isso costuma gerir mal sua vida e as coisas com as quais se envolve.

Não é “privilégio” do Cruzeiro estar nas condições que está hoje. Um grande número de clubes brasileiros beira o caos técnico-administrativo-financeiro e político. Ou seja, lhes faltam gestão em todos os níveis. Nenhuma empresa, ou clube de futebol, suporta o volume de incompetências e às vezes maldades gerenciais como as que acontecem no futebol brasileiro.

Poucas vezes eu ouvi falar de “orçamento futebol” nos muitos anos que tenho trabalhado no meio. Das poucas que eu ouvi, quase todas não foram levadas a sério. Mas também, o importante é ganhar de qualquer jeito, né!!! Gasta-se o que tem e o que não tem, pois afinal o que importa é o resultado!

Perdemos a mão, totalmente! Quando caminhamos nessa batida, a cova costuma aparecer logo à frente.

Ao contrário do que muitos pensam, gerir um clube de futebol requer habilidade em saber lidar com competências múltiplas – tem o FUTEBOL, as finanças, o administrativo, o patrimônio, o comercial, a comunicação, a política, os associados, dentre várias outras áreas que fazem a vida de um clube. Eu não preciso saber fazer tudo isso funcionar, até porque tem especialista pra todas essas áreas. Eu preciso saber gerir as interfaces desses segmentos para que o FUTEBOL e os outros setores do clube apareçam com qualidade.

FUTEBOL é gestão e deve ser regido por um projeto técnico afinado, que pode sim fazer mais com menos – gastando menos do que se gasta atualmente em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Na minha passagem pelo Tupi de Juiz de fora em 2011, quando fomos campeões brasileiros da Série D, gastamos tão pouco para chegar ao sucesso que não gosto nem de expor números. Todas as vezes que tive a oportunidade de falar sobre a conquista do Tupi o citei como um case a elogiar, mas nunca a se copiar. Os deuses do futebol nos acompanharam com muito carinho naquela jornada, além do bom trabalho que foi feito no clube em geral. Dados e imagens estão registrados para a comprovação.

O fazer mais com menos não significa economizar simplesmente pra não gastar. Significa inserir competência ao projeto. Leva em conta sermos mais técnicos em nossas ações e menos coração ou impulsividade.

Como erramos com o FUTEBOL! É preciso interromper esse ciclo de coisas erradas na gestão dos clubes brasileiros!

O coração no futebol brasileiro já está representado em boa dose quando mensuramos as ações de torcedores e outros segmentos que fazem esse esporte.

Precisamos ser técnicos na gestão do futebol – administrar centro de treinamento, vestiário, composição e condução do elenco de jogadores e comissões técnicas, prezar e atuar por qualidade de treinamento e jogo, etc.

Precisamos ser técnicos também na gestão do clube como um todo – qualificar a governança na política, nas finanças, nos processos gerenciais, no patrimônio, nas estruturas e etc., tudo em parceria indissociável com o que o FUTEBOL é, pede pra ser e deve ser pra melhorar.

O mais importante nisso tudo é que tenhamos esses dois universos da gestão, o futebol e o clube, como um todo caminhando lado a lado. Não se constrói o sucesso de um clube e ou do FUTEBOL com olhos só pra um desses lados.

Por isso também, o FUTEBOL não é dinheiro! FUTEBOL é gestão!

Um clube não necessariamente precisa adotar modelos de gestão consagrados no mercado ou comparar o seu modelo a outros de sucesso. A sua realidade é uma diferente de todas. Não é preciso, no entanto, inventar modelos de gestão com pretextos de inovação e acabar misturando as mãos com os pés na condução do clube e do FUTEBOL.

Muito do que está no mercado pode e deve ser aproveitado, mas é inexorável: o negócio tem de ser FUTEBOL – não se pode fugir dessa premissa, com pena de inventarmos um Frankenstein esportivo sem tamanho achando que estamos fazendo futebol.

Até uma próxima! 

 

Ilustração/Istock

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