Metamorfose maldita

Os treinadores brasileiros estão se transformando em anjos no infernal mercado de trabalho do futebol.

Todo líder é “um vendedor” por excelência. Ideias, valores, processos, dentre outros, sãos os “produtos” mais requisitados e oferecidos.

Atualmente, os nossos treinadores têm andado em baixa. Estamos ferindo seriamente a autoestima humana e profissional dos comandantes brasileiros ao desmerecer seus atributos de vendedores.

Por outro lado, a concorrência estrangeira  tem ganhado espaço e as suas “bancas de vendas”  estão congestionadas por compradores brasileiros. Basta enrolar a língua na feira, que é pra lá mesmo que vamos.

Temos vivido no Brasil uma fase inédita de valorização dos “treinadores/vendedores” estrangeiros e de seus “produtos”. Costumam ser mais ouvidos e ter mais tempo de trabalho que os brasileiros. Tem sido assim.

O tempo, sábio dos sábios, já vem “derrubando o véu” de alguns deles. A cultura do imediatismo no futebol tem feito os estrangeiros experimentar do nosso “doce amargo” da profissão. E quando os rejeitamos, costumam  ser colocados no mesmo rol de descrédito dos treinadores brasileiros. Três ou quatro derrotas quase sempre varrem ao lixo qualquer possibilidade de manutenção de treinadores – nacionais ou estrangeiros.

Mesmo assim, as portas brasileiras permanecem escancaradas para os treinadores de fora! Seria normal para o mercado, se não houvesse valorização de uns em detrimento a outros e em condições desiguais.

Neste cenário o treinador brasileiro tem se “virado nos 30” e procurado transformar suas habilidades naturais. Dentre as mais desenvolvidas estão as estratégias de Marketing pessoal para aprimorar a venda de seus produtos.

O tiro costuma sair pela culatra na maioria das vezes! Muitos treinadores estão se moldando às exigências perversas do ambiente futebolístico brasileiro com metamorfoses maléficas às suas maneiras de ser – como líderes e técnicos.

Quando se mexe na essência da personalidade humana é comum a “emenda ficar pior que o soneto”. Ao criar novas estratégias de vendas para as suas capacidades profissionais, muitos treinadores brasileiros se transformam em “anjos de vestiário”, pois não podem desagradar ninguém.

Como disse um treinador amigo: – “…se eu chamar à atenção um jovem talento de 17 anos, perco meu cargo!

E assim tem sido, e não só nas relações do vestiário propriamente ditas! O treinador brasileiro está precisando medir e pesar palavras e atitudes em todo o ambiente do futebol brasileiro.

Resultado disso? Poderia citar vários, mas vou ficar somente nos que se seguem:

  • A arte de vender, essencial aos treinadores, cai por terra – quem compra um produto de um vendedor desvalorizado?
  • O jogo perde qualidade quando se quebra a relação de dependência que deve existir entre o comandante e os comandados em organizações humanas.
  • Os clubes caminham à falência – sem bons vendedores o jogo se perde. O que será dessa indústria sem o jogo?
  • O mercado do entretenimento perde arte e graça!
  • O futebol brasileiro nestes últimos anos, assim como acontece em outras áreas, tem o “complexo vira-latas” sempre de plantão negando cada vez mais o trabalho nacional. E olha que pelo menos os nossos jogadores,  tal qual o minério de ferro, o ouro, o café, dentre outros, representam muito bem o Brasil lá fora!
  • Todo o futebol brasileiro padece com a desvalorização mercadológica dos seus treinadores – “tiro nos pés”…

Puxa! Será que o treinador é mesmo tão importante assim para o futebol?

É!

Porém, é preciso fazer uma leitura contextualizada! Querem ver? Quando um time tá mal, a primeira coisa que fazemos aqui no Brasil é trocar o treinador! Isso só nos faz acreditar que a maior importância está nele, mesmo.

Mas, passado alguns dias e ou resultados, a importância do substituto já perde força, pois o time ainda não ganha e será preciso trocar novamente. As luzes já não estão mais nele. “Passe o bastão”! 

É meio louco, não é?!

Por isso que eu digo que a leitura deve ser outra. Quebrar a essência de bom vendedor nos treinadores é tão prejudicial ao clube e ao jogo quanto a ausência de bons jogadores no time, o rompimento do equilíbrio político do clube, a falta de estruturas para a alta performance, desajustes na gestão…

Ferir a sua condição de líder e bom vendedor é interromper o ciclo de energia e processos que faz o jogador, o jogo, o clube e o entretenimento crescerem.

É simples assim! Um bom vendedor vende bem seus produtos! Ao tirarmos essa habilidade dos treinadores brasileiros, consequentemente o jogo, os clubes e o futebol em sua totalidade padecem de bons negócios.

O que sugiro é que se dê verdadeiramente a “chave do vestiário” para o treinador brasileiro. Ele é “o cara”!

Não a chave do clube, como já fizemos em outras épocas. Mas, o pacote das condições ideais de trabalho deve ser concedido ao treinador brasileiro e seu projeto técnico para o clube. Aqueles que não tiverem competência para “assumir a bronca” se acusarão sem muito esforço. A seleção é natural.

Mas, “sem moral”, não produziremos “treinador/vendedor” de qualidade! 

Assuntos delicados e abrangentes como esse nunca se esgotam. Quando pensamos que terminou, fica sempre a sensação que falta algo, ou muito. Por isso, tenha paciência o leitor para entender a recorrência dos assuntos neste espaço. Afinal, o conhecimento costuma chegar mais consistentemente por vias de abordagens multifacetadas dos conteúdos.

Chega! Já filosofei muito por hoje!

Me desculpem pelo excesso nas aspas!

Em uma próxima reflexão, vou abordar detalhes sobre as importâncias do “treinador/vendedor” na construção do jogo propriamente dito.

Até a próxima! 

Foto: Gazeta Press

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