O “controle do jogo”

“- O Cruzeiro não jogou nada!”

Foi o que disse o treinador Rogério Ceni após o jogo Bahia 1×2 Cruzeiro do último 15/09 pela Série A do Brasileiro.

Foram palavras fortes que mexeram com as mentes de alguns membros da comunidade brasileira do futebol! A mim, nesse espaço de reflexões, estimulou correr atrás de mais detalhes sobre o entendimento das táticas desse jogo cheio de “segredos e armadilhas”!

O fim de jogo sempre exacerba sentimentos acalorados em seus personagens principais. Por causa disso, costumam se manifestar diferentemente do que fariam em momentos de maior tranquilidade. Não vou entrar nesse pormenor. Vou me ater à reflexão sobre o “jogo jogado”, que sempre está dentre os conteúdos que mais me atraem no futebol.

Após a fala do Ceni, fui à investigação e análise detalhadas do referido jogo. Editei o “lance a lance” do vídeo desse jogo, em câmera aberta, e divido agora algumas das observações que fiz.

Antes disso…, o controle de jogo, tema central da nossa abordagem de hoje, é a capacidade que o treinador tem de administrar lucidamente o seu jogo com leituras e interferências táticas em sua dinâmica. Ou seja, o treinador, durante ou após o jogo, é capaz de interpretar o que aconteceu ou está acontecendo, segundo o que concebe, treina e vê como respostas de campo.

Já na análise de um time em relação ao outro, um controlará o jogo do adversário, quando consegue neutralizar suas ações. A lógica do jogo de futebol é costumeiramente apontada como a “tentativas de imposição”, de uma equipe sobre a outra!

Opa! Então existem duas, e não apenas uma, formas de entender o conceito de controle de jogo no futebol?

Pois, assim é!

Numa, é analisado o controle que o treinador tem sobre o desempenho da sua equipe!

Noutra, lê-se a competência que uma equipe tem de “controlar / neutralizar” o jogo do adversário!

Para interpretar a fala do Rogério Ceni, é preciso discernir sobre qual dos dois tipos de “controle de jogo” ele se referiu. “O Cruzeiro não ter jogado nada”, palavras do treinador do Bahia, nos leva a acreditar que o Ceni pode ter considerado o domínio do Bahia em relação ao Cruzeiro. Vamos pensar desta forma para dar sequência às nossas ponderações, mas sem desconsiderar o outro conceito de controle de jogo.

Não vi este jogo ao vivo, porque estava em trânsito de viagem. Mas, Bahia e Cruzeiro são duas das melhores equipes brasileiras da atualidade, que têm me despertado interesse em assistir seus jogos. Por isso, já vi vários deles e continuarei vendo mais nesse 2025.

Vamos à “investigação do jogo”, para entender melhor sobre o que o Rogério Ceni havia dito!

Dois grandes clubes, ótimos treinadores, excelentes elencos, ideias de jogo interessantes, que me agradam e estão no topo da tabela do Brasileiro, não por acaso! Nesse confronto, em particular, vi novamente a confirmação dessa análise nas duas equipes.

Não entrarei nos detalhes da qualidade dos gols, pois nossas reflexões costumam ir “muito além da bola que entra ou não no futebol”! Me ative ao “controle de jogo” de uma equipe em relação à outra e dos treinadores em relação aos jogos que constroem.

Pois bem, ao ver em detalhes o Bahia 1×2 Cruzeiro, percebi um equilíbrio de forças muito claro entre as duas equipes. Uma controlou / neutralizou o jogo da outra com manobras defensivas inteligentes e eficazes – as defesas superaram os ataques na maior parte dos lances.

É isso, mesmo! As equipes controlaram os ímpetos ofensivos adversário com bons argumentos defensivos! Os goleiros quase não apareceram a não ser em lances de reposição, recuos ou saídas de bola!

Por isso, costumamos dizer que uma equipe pode controlar o jogo da outra de duas formas – “com e sem a bola”. Pelo que vi, as duas equipes do nosso exemplo esbanjaram organização e competência em suas defesas – ótimas exibições de padrões táticos de jogo defensivo (tema da nossa última postagem) portanto, controlaram o jogo adversário mesmo estando “sem a posse de bola”. Não foi um “jogo bonito”, de nenhum dos dois lados! Mas, taticamente, passou boas lições.

Cabe ressaltar que controlar o jogo com argumentos defensivos diz respeito às equipes que defendem bem, sem correr riscos e, quando recuperam a bola, sabem jogar com ela. Têm equipes que defendem mais que atacam por descontrole e/ou desconfiança em relação ao seu próprio jogo. Ficam acuadas, passando sufoco, sem construir situações de ataque. É quando denominamos “o jogo de uma equipe só” – aquele em que uma ataca e a outra “só defende”!

Bahia e Cruzeiro fizeram jogos parecidos com muita qualidade defensiva. Mas, quando tinham a bola, mostravam traços táticos de equipes que sabem e gostam do jogo ofensivo, de imposição, mas esbarravam sempre na qualidade defensiva do jogo do adversário.

Portanto, entender o que o Rogério Ceni quis dizer passa por traduzir a linguagem tática do jogo em todas as suas perspectivas. Ele teve razão quando percebeu que o Bahia queria e tentava jogar o jogo propositivo, ofensivo, mas esbarrava na inteligente capacidade defensiva do Cruzeiro. Da mesma forma, o Cruzeiro também queria “jogar pra frente”, mas era impedido por um Bahia que se valeu das mesmas armas táticas defensivas. Foi um jogo genuinamente tático onde os argumentos defensivos sobressaíram aos ofensivos. Defender bem foi o que melhor fizeram Bahia e Cruzeiro nesse jogo!

Discernir significados e conceitos táticos de um jogo de futebol é um primeiro e importante passo para a compreensão do todo e tudo nesse esporte. Os participantes dos Programas de Consultoria e Mentoria que eu ofereço desenvolvem muito bem esses conhecimentos.

A “escola do jogo brasileiro” pode e deve evoluir sob essa perspectiva também. Um Brasil, que de Norte a Sul, Leste a Oeste de seu imenso território, entende, fala e faz o futebol de qualidade fará renascer a cultura tática de jogo e desenvolvimento de talentos, que esbanjou nos áureos tempos das grandes conquistas. Não há saudosismo nessa fala, é a pura constatação da realidade, mesmo!

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Fiquei triste com a saída voluntária do Renato Gaúcho do Fluminense! Não sei se vamos desenvolver esse assunto em reflexões futuras, mas não podemos achar isso normal!!…

Até uma próxima resenha!

Fotos: Gustavo Aleixo / Cruzeiro & Letícia Martins / EC Bahia

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1 Comentário

    Show… Bravo.!

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