O “saber fazer” e o “pra que fazer”
– Vejam por onde vamos andar nessa reflexão!
– Conhecimentos “Processual e Declarativo”!
– Espero que passemos por algumas ideias que despertem nossos treinadores e profissionais técnicos para o melhor entender, conceber e construir o jogo e o treino no futebol brasileiro.
Me afastei por um tempo das postagens no site e no Instagram devido ao frenético envolvimento que tenho experimentado com novos projetos em futebol”.
Completo, em 2026, 43 anos exclusivamente dedicados à área técnica do futebol. Hoje, tenho vivido a melhor fase da minha carreira para a construção de conhecimento sobre o jogo e o treino no esporte que amo. As ideias fervilham, e, compulsivamente, não paro de escrever.
Na última quarta-feira 26/01, participei da “Semana de Imersão & Aculturamento” das Categorias de Base do Vasco da Gama. O professor Gabriel Bussinger e sua equipe são os responsáveis pela iniciativa e desde já agradeço o convite e deixo os parabéns aos profissionais e ao Vasco pela valiosa iniciativa.
Meu amigo, professor Paulo Castro, o “Paulinho”, um expoente brasileiro do Futebol de Base, também participou do evento e abordou sobre um tema que gosto muito:
– Os “conhecimentos Processual e Declarativo” no desenvolvimento do jogo e do jogador de futebol!
“Pra não ficarmos a ver navios” no entendimento dos dois conceitos, acho bom definir objetiva e resumidamente sobre:
– Conhecimento Processual – é o “saber fazer” / Conhecimento Declarativo – é “entender e se conscientizar sobre o que está fazendo”!
Indo direto ao ponto, ao investigar este tema chegaremos a razões e soluções que explicam traços importantes do jogo e do treino no futebol brasileiro.
A “escola de rua”, ferramenta icônica da iniciação esportiva do futebol brasileiro, é a tradução clássica do exercício e aquisição do rico conhecimento processual dos nossos jogadores e equipes.
“A genuína escola de rua”, foi e continua sendo preciosa iniciação ao aprendizado em futebol das crianças e adolescentes brasileiros.
Contrariando correntes de pensamentos e estudos, defendendo, convictamente,a existência da “escola do futebol de rua” até os dias de hoje no Brasil.
Apesar de alguns traços extintos, as ruas, por exemplo, ainda temos oito mil quilômetros de praias na costa brasileira, um ambiente culturalmente estimulador, genética miscigenada favorável, o futsal, a paixão pelo jogo, dentre outras características que “ensinam o como fazer, fazendo” aos jovens brasileiros iniciantes do futebol.
Elementos técnico-habilidosos, táticos, físicos e mentais de jogadores e equipes, adquiridos com a prática da “escola do futebol de rua” se arrastam até a fase adulta dando características peculiares ao nosso jogo, até hoje!
Já mencionei em outras postagens, que a “escola do futebol de rua brasileira” é “um bem e um mal” que interferem na evolução do nosso jogo.
“Um Bem”, porque oferece iniciação esportiva valiosa, espontânea, gratuita e volumosa à grande massa brasileira de praticantes desde a pequeníssima idade. É a base importante do “conhecimento processual” que caracteriza o perfil neuro-motor, técnico-habilidoso, cognitivo e até mental dos nossos jogadores ao longo de muitas décadas.
– Aqui é que o tema começa a “azedar”!
O jogo formal dos brasileiros, até os “Anos 90”, pelo menos, usufruiu em larga escala do conhecimento processual adquirido na “escola do futebol de rua”: protagonismo das individualidades, o jogo com muitos espaços, pouca responsabilidade com as táticas coletivas, irreverência ofensiva, jogo de passes habilidoso e caracteristicamente brasileiro, dentre outros,
– Nessa época, a escola de rua e o jogo formal dos brasileiros eram parecidos na essência tática coletiva e poder das individualidades. Os conteúdos apreendidos da “escola do futebol de rua” eram, quase que na íntegra, praticados na formalidade do jogo oficial brasileiro.
E, o mais interessante disso tudo é que, esses perfis de jogo e jogadores iniciados e desenvolvidos “nas ruas” faziam muito sucesso contra as escolas europeias.
Foram tempos áureos vividos pelo futebol brasileiro que nos legaram grandes conquistas e nos credenciam, até hoje, como fábrica de talentos do futebol mundial!
– Opa!… Até hoje?!
– Sim! A “fábrica de talentos brasileiros” continua pulsante no Brasil e refletindo positivamente em todas as escolas internacionais do futebol !
– Mas, a “escola do jogo”…
Antes, a “escola do futebol de rua brasileira” atendia às necessidades da formação do talento e da “construção do jogo da época”. O jogo jogado anteriormente aceitava o poder técnico-habilidoso das individualidades, os espaços do campo, etc.
– E é, justamente aí que o cenário da hegemonia futebolística mundial mudou!
“O Mal”, que a “escola de rua” traz ao jogo brasileiro da atualidade, está na distância daquilo que desenvolve e o que pede o jogo coletivo e moderno praticado pelas melhores escolas táticas do mundo!
Para entendermos o caminho a ser tomado na evolução do jogador e do jogo brasileiro, é preciso conceber a existência das duas escolas que atendem aos propósitos da construção do jogo para o futebol moderno: a escola do jogo e a do talento!
A partir dos 14/15 anos de idade, em média, não é mais permitido deixar o jovem jogador de futebol solto e entregue somente aos aprendizados da escola de rua, a escola que é primorosa no desenvolvimento inicial do talento, mas que não atende aos propósitos táticos do jogo moderno.
Dos 14/15 anos em diante e principalmente, os jogadores precisam saber sobre “o que estão fazendo” – “Conhecimento Declarativo”!
Hoje, o jogo moderno exige muito mais atributos táticos, individuais, grupais e coletivos – ofensivos e defensivos – que serão apreendidos e praticados em cenários de jogo muito diferentes daqueles vividos até, pelo menos, 40 anos atrás.
Os jogadores brasileiros precisam entender o jogo moderno e o universo das táticas que o credencia, para melhor e consistentemente praticá-lo.
Aos treinadores brasileiros, mais essa missão:…
– …ensinar jogadores e equipes “o conhecimento declarativo” a respeitos do jogo que querem praticar! Eles têm de saber, para fazer bem e convictamente!
As escolas brasileiras do jogador e do jogo, juntas, podem se ajustar ao atendimento das necessidades do futebol moderno. As duas conviverão bem e harmoniosamente se uma atender aos propósitos da outra:…
– ….formando jogadores para o jogo moderno e construindo jogos que têm jogadores modernos que entendem e atendem as suas exigências!
Se estamos cometendo erros conceituais e/ou metodológicos nos vários trabalhos de Base espalhados nos clubes brasileiros, é claro que precisam ser considerados e reparados como em todas as mudanças vividas em projetos humanos…
…mas, enquanto estivermos clamando pelo retorno da íntegra da escola de rua do passado, como solução dos problemas modernos para o futebol brasileiro, prestaremos desserviço à evolução da formação dos talentos e construção do nosso jogo. Simples assim!
Vou ficar na simplicidade desse desfecho, pois esse é um tema para muitas páginas! Mas, voltarei a falar sobre isso, com certeza!
– Bom domingo a todos!
Figura do Post: original das obras literárias publicadas pelo autor Ricardo Drubscky

fevereiro 18, 2026 às 10:31 am
Caro Ricardo, excelente reflexão crítica sobre a evolução do futebol brasileiro e suas sugestões para aproveitarmos tradicionais elementos da essência (identidade) do nosso futebol, adequando-os às altas (e diferentes) exigências do futebol praticado hoje em dia mundo afora! Parabéns também por suas inestimáveis contribuições que vem dando ao desenvolvimento do “conhecimento processual” e “declarativo” do futebol! Forte abraço, meu amigo!
fevereiro 18, 2026 às 10:31 am
Caro Ricardo, excelente reflexão crítica sobre a evolução do futebol brasileiro e suas sugestões para aproveitarmos tradicionais elementos da essência (identidade) do nosso futebol, adequando-os às altas (e diferentes) exigências do futebol praticado hoje em dia mundo afora! Parabéns também por suas inestimáveis contribuições que vem dando ao desenvolvimento do “conhecimento processual” e “declarativo” do futebol! Forte abraço, meu amigo!