Padrões Táticos de Jogo – “o quê” são e “como” treinar?

Meu time treina todos os conceitos táticos do jogo moderno – defensivos e ofensivos,…

…mas não consegue praticar com “qualidade e regularidade” as táticas que treina! O quê estaria acontecendo?

É claro que para dar uma resposta completa não se pode negligenciar um conhecimento mais aprofundado da situação.

Mesmo assim, vou tentar responder sob apenas uma perspectiva, que, por acaso, abrange diversos condicionantes táticos:

Pode ser, que o treinador do nosso exemplo esteja bem atento ao o que treinar” e dando pouca atenção aocomo treinar“. Vou explicar melhor…

O jogo de futebol é caracteristicamente complexo e fluido em sua dinâmica. Métodos e processos de treinos têm influência direta nas respostas que alcança. Considerar conceito por conceito tático do jogo é importante e faz parte do entendimento das partes e do todo. Mas, na prática, o jogo e tudo aquilo que representa precisa ser abordado sob a luz da especificidade complexa com que se mostra em campo.

Pra dizer a verdade, sem se atentar às conexões tático-conceituais na construção dos treinos e do modelo de jogo, corremos o risco de ao final “tropeçar num jogo amorfo” e sem objetividade tática. Apesar dos conceitos táticos e belos modelos de treinos aplicados.

Os descompassos entre conteúdos ministrados e respostas alcançadas no jogo estão plenamente ligados ao “como treinar” – métodos e processos aplicados / didático-pedagogia dos treinos / conexões entre as táticas micro, meso e macro-conceituais…

Já entrando em nossa reflexão de hoje, a arte e necessidade de padronizar taticamente um jogo de futebol não se alcança simplesmente colocando um treino atrás do outro. É preciso se atentar às relações entre as táticas treinadas e entre cada uma delas e o jogo como um todo. Sem conectar conceitos, pode até ser que surjam alguns lampejos das táticas treinadas, mas nunca com regularidade e padrões táticos definidos.

Um jogo de futebol só se realiza quando plenamente padronizado. Assim, as táticas se conectam harmoniosa e regularmente dando sentido e objetividades às ações da defesa organizada, transição ofensiva, ataque organizado e transição defensiva. Passa a ser um jogo que se desenrola fluidamente em Unidades Ofensiva e Defensiva, o que traduz a necessidade e a essência dos esportes coletivos. Prometo que ainda vou falar mais e detalhadamente sobre “as Unidades Táticas de Jogo”.

A figura que ilustra este post foi tirada do material didático do meu curso “Jogo Moderno para o Futebol Brasileiro”. É bastante representativa das infinitas possibilidades que as situações táticas de jogo apresentam no futebol. Ao treinador, suas ideias e treinos, cabe implantar organizações posicionais e ações de campo – defensivas e ofensivas – que melhor atendam às eficiência e eficácia do jogo que constrói. Observem que as equipes amarela e vermelha da figura apresentada dão alguns sinais de jogo padronizado para comportamentos de ataque e defesa , respectivamente.

Outro mal que costumamos praticar contra a fluidez tática do jogo é ensaiar jogadas. Mesmo passando a falsa impressão de se ter um time bem treinado, as “jogadas ensaiadas” quebram a dinâmica sistêmica do jogo fluido prejudicando ainda mais as possibilidades de se construir padrões de comportamentos táticos.

Mais grave ainda é não saber distinguir jogadas ensaiadas de padrões táticos de jogo. Enquanto na jogada ensaiada o fluxo de jogo é interrompido em favor de apenas uma combinação de movimentos, num jogo padronizado taticamente sua própria dinâmica fluida contempla infinidade de jogadas “não ensaiadas”, que emergem dos padrões táticos desenvolvídos. O que rege a padronização de comportamentos táticos no futebol é a base conceitual com que treinos e jogos são construídos. Isso faz toda a diferença!

O fenômeno é complexo, mas muito inteligente. Um jogo jogado sem padrões de comportamentos se perde na confusa sorte dos imponderáveis. “O sistema jogo de futebol” treinado, fluido e padronizado pode ser controlado pelo seu treinador, ou seja, conhecido em sua totalidade, nas partes e nas interações que existem entre esses dois universos. Nessas circunstâncias é que se torna possível as interferências assertivas dos treinadores.

Vamos apimentar ainda mais o entendimento do nosso tema:

Por quê um time faz um jogo ofensivo no primeiro tempo e defensivo no segundo, ou vice-versa?

E, por quê um mesmo time apresenta dinâmicas táticas muito distintas de um jogo para o outro?

Com certeza, esses seriam bons exemplos de equipes e/ou treinadores que jogam “defendendo o resultado” e não a convicção em um conjunto de ideias táticas que o levaram a “tentar construir um modelo de jogo perseguidor de vitórias“! Entendam que não estou fechando questão, até porque, quem o faz no futebol costuma se estrepar!

Já ouvi muito em meu dia a dia de trabalho:

Professor, vamos jogar feio, mas ganhar esse jogo!

Os que propõem isso, não sabem nem o que estão dizendo. Quem pode garantir que “jogar feio” é sinônimo de vitória? O que é jogar feio ou bonito no futebol? O quê o treinador deve perseguir, a construção do modelo de jogo que idealiza e acredita ou um jogo reativo entregue ao aleatório das trocações e/ou às necessidades dos resultados?

Na verdade, o treinador só será controlador do seu jogo quando constrói sua dinâmica padronizada taticamente. Controlar um jogo entregue exclusivamente às decisões individuais dos jogadores e desconectado de uma “ideia tática macro” é dispendioso e uma loteria de apostas na qualidade e no resultado. O jogo essencialmente individualizado é confuso e de difícil interferência o treinador “deixa de ser condutor e passa a ser passageiro” das intercorrências complexas e desconectadas em campo.

Padrões táticos no futebol são comportamentos individuais, grupais e coletivos que emergem de “tarefas guiadas” – forjadas pelas ideias táticas do “jogo treinado” .

Nossa! “A minha cabeça já está fervendo”!

Não me lembro de uma reflexão que tenha me dado tanto trabalho!

Mas, quer saber de uma coisa, esse tema é de crucial importância no desenvolvimento do jogo brasileiro. Construir jogos taticamente padronizados é necessidade premente da escola do jogo brasileiro. Por isso, insistirei no assunto!

Fecharei abordando mais um detalhe. O treinador que treina o jogo sem interferir muito em sua dinâmica, ainda que inconscientemente, estimula a auto-organização – Lei Sistêmica que auto-organiza a complexidade nos sistemas vivos.

Então, é só deixar o time treinar e jogar solto que o bom jogo surgiria naturalmente!?

– É claro que não, mas a Lei que auto-organiza o “sistema jogo de futebol” também nos dá uma boa lição para o “como melhor treinar”!

“Treinar o jogo jogando”, ler e interferir pontualmente nas soluções táticas dos problemas de campo parece ser uma das mais importantes competências do “treinador construtor”. Sutil, mas muito diretamente, estou deixando uma dica importante ao “como desenvolver padrões táticos em um jogo de futebol”.

Os exercícios montados com “tarefas guiadas” pelas ideias táticas de um treinador – e seu modelo de jogo – são caminhos curtos que levam à padronização tática inteligente de um jogo de futebol. Práticas regulares dessa forma de treinar padronizam intuitivamente o jogo de uma equipe. Simples assim, mas é assim mesmo que deve ser!

Aqueles que já tiveram a oportunidade de adquirir o meu curso, “Jogo Moderno para o Futebol Brasileiro”, e/ou participar dos meus “Programas de Mentoria e Consultoria Técnica em Futebol” sabem sobre o que estou dizendo e são capazes de chegar a níveis bastante promissores da construção tática padronizada do jogo que idealizam.

Todos os temas abordados nas postagens que faço são contemplados em profundidade no “Curso JMFB” e em minhas “Mentorias e Consultorias Técnicas em Futebol”. Acompanhem o meu Instagram – @ricardo.drubscky – onde vocês encontram as informações necessárias.

Até a próxima!

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